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Diversidade nas empresas: muito mais do que uma estratégia de marketing, uma responsabilidade social

Updated: Jun 29, 2022

Segundo pesquisa, só 37% das empresas brasileiras têm orçamento exclusivo para DE&I


Falar sobre diversidade nas empresas está em alta, mas isso não significa que essa pauta deva ser encarada como uma estratégia de marketing por si só. Acima de tudo, diz respeito ao papel das empresas em oferecer oportunidades iguais a todas as pessoas, independentemente da raça, religião, orientação sexual e tantas outras diferenças que existem.


Segundo a consultoria de gestão Korn Ferry, apenas 37% das empresas brasileiras têm orçamento específico para ações de diversidade e inclusão. Desse número, pouco menos da metade (49,9%) aumentou investimentos para que haja mais diversidade no ambiente corporativo.


Além disso, por mais que a população brasileira identificada como negra e parda pelo IBGE seja de 54%, esse grupo ainda é sub-representado nas organizações. Outras categorias, como mulheres, LGBTQIAP+ e PCDs também sofrem para conseguir as mesmas oportunidades no mercado, principalmente em cargos de lideranças.



Empresas têm que se conscientizar que busca pela diversidade não pode se limitar a instrumento de marketing, mas tem que ser efetiva na organização

Sabemos que refletir sobre diversidade e inclusão nas empresas é uma urgência, por isso, te convidamos para pensar mais sobre o assunto por meio deste artigo. Continue a leitura para conferir informações e dados que podem ajudar a mudar a realidade das organizações.



O que é a diversidade nas empresas?


A diversidade nas empresas é sobre agir a respeito e não apenas falar sobre o assunto. Isso significa agir em prol de um time de colaboradores com pessoas de diferentes formações, raças, religiões, idades, gêneros, culturas, experiências, formações, orientações sexuais etc.


Estamos nos referindo às organizações que deixam de priorizar apenas alguns grupos de indivíduos em qualquer tipo de oportunidade e consideram as competências dos profissionais acima de suas origens, escolhas pessoais ou características.


Para que isso aconteça na prática, é fundamental estruturar políticas de inclusão que passam pelo recrutamento, plano de carreira, promoções e cultura.



Qual é a importância da diversidade nas empresas?


Uma empresa com estratégias de diversidade e inclusão sólidas é bem vista pelo mercado como um todo e, consequentemente, fortalece a sua marca empregadora. Os principais benefícios atingidos a longo prazo são:


  • melhor atração e retenção de talentos;

  • clima organizacional mais positivo;

  • ambiente muito mais inovador com profissionais diferentes entre si.


Um ponto que merece destaque é o fato de que times mais diversos atingem melhores resultados. Um estudo da McKinsey, “Delivering through diversity”, revelou que empresas com um quadro de colaboradores mais diverso tendem a ter 21% mais lucro quando há diversidade de gênero e 35% quando há diversidade racial.


Mas por que isso acontece? Porque profissionais com habilidades complementares contribuem de maneiras diferentes, o que ajuda na superação de adversidades e desafios, além de garantir ideias inovadoras.


Apesar de todos os benefícios para o crescimento do negócio, ainda assim vemos organizações que focam na diversidade apenas como uma estratégia de marketing. É claro que essa é uma consequência positiva e importante para as empresas, mas todas deveriam assumir naturalmente a sua responsabilidade nesse sentido e entender que têm um papel importante na sociedade no que diz respeito à redução das desigualdades. Isso é responsabilidade social!



Quais são os desafios para promover a diversidade no ambiente de trabalho?


Muitas vezes as ações afirmativas têm como intuito gerar uma imagem positiva da empresa em relação à sociedade, clientes, consumidores e demais stakeholders. No entanto, elas não são muito efetivas na prática, fazendo com que a estrutura da organização seja pouco modificada.


Para Carolina Barreto, sócia-fundadora da ONG Pontos Diversos, voltada para a promoção da diversidade sociocultural e ambiental, a busca por diversidade tem que deixar de ser uma pauta da área de marketing e se tornar efetivamente realidade nas organizações empresariais brasileiras.


“É preciso mudar. No entanto, o mundo corporativo tem se fechado a essa alteração de cultura. Tem feito abertura apenas para a mudança de imagem. É preciso processos seletivos inclusivos e relação com stakeholders inclusivos”

afirma Carolina, que é palestrante da Spotlight.


Um dos grandes desafios, portanto, é a mudança cultural. As organizações devem encarar a diversidade como uma premissa de qualquer ambiente de trabalho e não como um diferencial.


O que muitas vezes acontece nas empresas são grandes investimentos em ações sociais em comunidades carentes, próximas aos seus territórios de atuação ou de seus principais fornecedores. Essas ações, apesar de importantes para dar perspectiva de futuro aos jovens em locais com grande vulnerabilidade, não são efetivamente inclusivas.


“Fazer um investimento desses é bom. Por exemplo, um desses investimentos foi de quase R$10 milhões. Tem que ser reconhecido como uma ação de grandes impactos, com resultados importantes para aquelas pessoas. Mas da porta [da fábrica] para fora. Enquanto as portas das empresas estiverem fechadas para esse público, há uma manutenção de modelo”

conta Carolina.


Para ela, a superação do modelo patriarcal, de heteronormatividade e racismo estrutural do mundo corporativo, passa por soluções coletivas. Não é um salvador que fará com que a mudança de cultura ocorra de maneira efetiva, internamente, ultrapassando o verniz da imagem pintada para o público externo.


“É preciso mudar modelos, concepções, quebrar paradigmas, a mudança de olhares. Tem tudo a ver com inovação. O mundo está inovando. E esse elemento empresarial das relações com a sociedade precisa estar acompanhando isso. Não adianta somente a inovação tecnológica porque quem vai operar isso são os seres humanos”

explica ela.


Como fomentar a diversidade e inclusão nas organizações?


“As empresas são um microecossistema, que refletem exatamente como é nosso macroecossistema. Nossa sociedade está organizada sobre esses vieses. Quando descrevemos o perfil geral do mundo corporativo, estamos falando de heteronormatividade, racismo estrutural e patriarcado. Estamos falando de elementos que sustentam os modelos de produção e de poder das empresas brasileiras”

analisa Carolina.


Então, o que pode ser feito no dia a dia das empresas para que diversidade e inclusão façam parte do DNA e não ações isoladas que não mudam de fato a realidade organizacional?


Aqui vão algumas sugestões:


1. Diagnóstico do quadro de funcionários


É fundamental ter clareza sobre como o quadro de colaboradores é composto para traçar um diagnóstico da diversidade na sua empresa. A partir disso, é possível estruturar estratégias relevantes para aumentar a diversidade nos times.


2. Diversidade na cultura organizacional


Toda empresa tem uma cultura organizacional que compõe a sua missão, visão, valores, modos de pensar e agir. É importante que essa cultura valorize a diversidade e a inclusão para que todos entendam que essa é uma bandeira que faz parte da sua essência.


Além disso, é interessante rodar uma pesquisa de clima organizacional para entender como os funcionários se sentem no ambiente de trabalho e se há sentimentos de exclusão por parte de alguns grupos.


3. Recrutamento com foco em diversidade


Um dos principais pontos quando o assunto é diversidade é o recrutamento. Os processos seletivos precisam levar em consideração a inclusão de mulheres, LGBTQIAP+, PDCs e outros grupos que nem sempre têm as mesmas oportunidades.


Como alguns preconceitos podem passar despercebidos, os chamados vieses inconscientes, algumas empresas fazem o recrutamento às cegas, que avalia apenas habilidades e competências dos candidatos e não levam em consideração informações como raça, gênero, formação etc.


Além disso, hoje em dia já é muito comum a prática de processos seletivos exclusivos para negros ou pessoas LGBTQIA+, por exemplo.


4. Promova conversas sobre o tema


Por fim, não podemos deixar de citar a importância de promover conversas construtivas sobre o assunto no ambiente de trabalho. Uma maneira muito produtiva de se fazer isso é levando profissionais especializados no tema para palestrar na empresa.


Dessa forma, é possível oferecer conteúdos diferentes e personalizados para os colaboradores e propor debates relevantes.


E onde encontrar esses palestrantes?


A Spotlight nasceu com o objetivo de facilitar a conexão entre palestrantes e empresas para que assuntos diversos sejam trabalhados no dia a dia corporativo. Entendemos a sua necessidade e encontramos e intermediamos toda essa relação.


Além da Carolina Barreto, o nosso portfólio conta com outros profissionais que abordam diversidade e inclusão, como a Luana Génot.








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